CGA ANBIMA: como funciona a prova, os pré-requisitos e a trilha do gestor

CGA ANBIMA: vale o esforço para ser gestor de investimentos?

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A CGA é a Certificação de Gestores ANBIMA, exigida de quem gere recursos de terceiros em fundos de investimento, carteiras administradas e fundos de índice. O exame tem 45 questões, dura 2h30 e exige 32 acertos, e o pré-requisito é ter a CFG ou o CFA®.

Quem decide alocação com dinheiro de outras pessoas responde por isso de forma técnica e regulatória. A CGA ANBIMA é a credencial que formaliza essa responsabilidade no mercado brasileiro, e por isso ela não se parece com uma prova de entrada: começa depois de outra certificação.

Este guia reúne o que a certificação habilita, como é o exame pelo edital em vigor, o que cada um dos seis temas cobra, as duas rotas de dispensa da prova e o prazo de vencimento que a ANBIMA acabou de empurrar para 2030.

Sumário Executivo

  1. O que a CGA habilita na prática?
  2. Qual a diferença entre CFG, CGA e CGE?
  3. Quais são os pré-requisitos para fazer a prova?
  4. Como é o exame da CGA?
  5. O que a prova cobra em cada tema?
  6. Dá para conquistar a CGA sem fazer a prova?
  7. O que muda com a prorrogação dos vencimentos para 2030?
  8. O que a certificação muda na carreira de quem gere recursos?
  9. Como montar a trilha da CFG até a CGA?
  10. Perguntas frequentes
  11. A prova mede conhecimento; a cadeira cobra decisão

O que a CGA habilita na prática?

Segundo o ANBIMA Edu, a certificação reconhece capacidade técnica e ética para gerir recursos de terceiros em fundos de investimento, carteiras administradas e fundos de índice (ETFs), em classes como renda fixa, ações, câmbio e multimercado. É a credencial de quem ocupa a cadeira de decisão, não a de quem apoia a análise.

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A exigência alcança três grupos, na descrição da própria associação: pessoas que atuam com recursos de terceiros em instituições bancárias que seguem os códigos ANBIMA, profissionais de instituições financeiras em geral, mesmo as que ainda não aderiram aos códigos, e estudantes ou servidores de autarquias e órgãos públicos que queiram ampliar o alcance da carreira.

Há ainda um uso regulatório que costuma passar despercebido por quem está começando a planejar a trilha: a CGA é um dos exames de certificação que a CVM aceita de quem pede autorização para atuar como gestor de recursos. Esse processo tem regras próprias e merece leitura à parte.

Qual a diferença entre CFG, CGA e CGE?

A antiga certificação de gestores foi dividida em três credenciais com funções distintas. A comparação abaixo usa os números do edital dos exames de certificação da ANBIMA, versão 1.4, de 28 de maio de 2026.

CertificaçãoO que habilitaProvaTaxa de inscrição
CFGAtesta a base teórica da gestão. Não habilita o profissional a atuar como gestor60 questões, 2h30, 42 acertosR$ 475
CGAGestão de recursos de terceiros em carteiras administradas e em fundos de renda fixa, ações, cambiais, multimercados e índices45 questões, 2h30, 32 acertosR$ 550
CGEGestão de recursos de terceiros em fundos de direitos creditórios, fundos imobiliários e fundos de índice45 questões, 2h30, 32 acertosR$ 550

Fonte: ANBIMA, edital dos exames de certificação, versão 1.4, e programa detalhado da CGA.

A leitura de carreira sai direto da tabela. A CFG organiza fundamentos e abre a porta; a CGA e a CGE habilitam, cada uma para um universo de fundos. Quem trabalha com multimercado e renda variável precisa da CGA. Quem estrutura FIDC ou fundo imobiliário precisa da CGE.

Quais são os pré-requisitos para fazer a prova?

Para obter a certificação, a ANBIMA Edu exige uma de duas credenciais prévias: a CFG ou o CFA®. É o filtro que explica por que a preparação para a CGA raramente começa do zero.

Na trilha nacional, o caminho usual passa pela CFG, que cobre a base teórica de gestão e já cobra 42 acertos em 60 questões. Na trilha internacional, quem avança pelo CFA® Level I e segue no programa chega à CGA por outro lado, com repertório de portfólio construído em inglês.

Essa diferença de porta de entrada muda o cronograma. Quem ainda vai fazer a CFG precisa planejar duas preparações em sequência, e o erro mais comum é tratar a primeira como formalidade. Os fundamentos cobrados lá reaparecem na CGA com exigência de aplicação.

Como é o exame da CGA?

São 45 questões de múltipla escolha, com 2h30 de duração e mínimo de 32 acertos para aprovação, o equivalente a 71% da prova. A taxa de inscrição é de R$ 550, e o exame é aplicado em centro de testes, com agendamento feito pelo candidato depois da confirmação do pagamento.

O edital também organiza o dia da prova. É vedado o uso de material de consulta de qualquer gênero e de equipamento eletrônico de comunicação, incluindo telefone celular. A inscrição é pessoal e intransferível.

A margem é estreita: 13 erros aprovam, o 14º reprova. Com seis temas de pesos parecidos, a aprovação depende menos de brilhar em um bloco e mais de não deixar nenhum descoberto.

O que a prova cobra em cada tema?

O programa detalhado vigente desde 1º de janeiro de 2024 divide o conteúdo em seis temas, com proporção definida para cada um.

TemaPeso na provaO que cobra
Gestão de carteiras: renda variável18% a 22%Análise e seleção de ações, ETFs, fundos de ações, valuation e estruturação da área de análise
Gestão de carteiras: renda fixa18% a 22%Duration e suas variações, gestão de curva de juros, crédito privado e produtos indexados
Investimentos no exterior11% a 15%Classes de ativos globais, veículos de investimento e exposição cambial
Avaliação de desempenho11% a 15%Cálculo de retorno, atribuição de desempenho e medidas ajustadas ao risco, como Sharpe, Treynor e alfa de Jensen
Gestão de risco11% a 15%Value at Risk, testes de estresse, risco de crédito, de liquidez e riscos ASG
Legislação, regulação e tributação18% a 22%Resolução CVM 175 e o Anexo I, deveres do gestor, limites por emissor e tributação de fundos

Fonte: ANBIMA, programa detalhado da CGA.

Dois blocos concentram o peso e costumam decidir o resultado. Legislação é o tema que o candidato experiente tende a subestimar, porque a rotina resolve a dúvida do dia a dia sem exigir a leitura da norma. Gestão de risco é o que mais cobra cálculo aplicado, e é onde a base construída na CFG faz diferença visível, como mostra a rotina descrita no guia de gestão de riscos em assets.

Dá para conquistar a CGA sem fazer a prova?

Existem duas rotas de dispensa, e as duas exigem a conclusão do curso de equivalência da ANBIMA.

A primeira é por experiência profissional. O candidato precisa comprovar sete anos em gestão ou quatro anos em administração pública, dentro dos últimos dez anos, além de concluir o curso de equivalência.

A segunda é por equivalência de certificação. Vale para quem tem o CFA® válido, com aprovação em todos os níveis exigidos para a obtenção do título. Nesse caso, a ANBIMA registra que a experiência profissional não entra na análise. O detalhamento dessa rota está no guia sobre como obter certificações ANBIMA tendo CFA® ou CAIA®.

Nenhuma das duas é atalho de esforço. Elas trocam o exame por comprovação documental e por um curso, e fazem sentido para quem já acumulou anos de mesa ou já pagou o preço de uma certificação internacional.

O que muda com a prorrogação dos vencimentos para 2030?

A ANBIMA prorrogou para 2 de janeiro de 2030 os vencimentos das certificações CFG, CGA e CGE que cairiam em 2026, 2027, 2028 e 2029. A justificativa publicada é dar à plataforma ANBIMA Edu mais tempo para absorver as demandas dessas certificações e equalizar os prazos de vencimento dos profissionais com CFG, CGA e CGE.

Para quem já tem o selo, isso desloca o calendário de manutenção, e não a obrigação. A atualização continua sendo feita por curso online, com temas como ética, legislação, regulação e compliance, modelos de precificação, finanças comportamentais, processo de gestão e política de investimento.

Item da atualizaçãoRegra
FormatoCurso online, com avaliação final
Aproveitamento mínimo70%
Preço em 2026R$ 350 para CGA e CGE
Prazo de inscriçãoAté cinco dias antes do vencimento da certificação
Nova validadePassa a contar da conclusão da atualização

Fonte: ANBIMA, edital dos exames de certificação, versão 1.4, e ANBIMA Edu.

Há uma consequência dura para quem perde o prazo. Certificação vencida e fora do período de regularização não pode ser atualizada: o profissional precisa refazer todo o processo, com nova inscrição, pagamento e aprovação no exame.

O que a certificação muda na carreira de quem gere recursos?

O efeito prático aparece no tipo de responsabilidade que a instituição pode delegar. Sem a credencial, o profissional apoia a decisão. Com ela, passa a poder responder tecnicamente pela gestão diante do comitê, do investidor e do regulador.

Isso costuma reposicionar a conversa em gestoras, family offices e áreas de wealth. O candidato deixa de competir por vagas em que o diferencial é a experiência informal e passa a disputar posições em que a validação técnica é pré-requisito formal de contratação.

A credencial também abre portas em estruturas que exigem casamento entre ativo e passivo, como fundos de pensão, terreno descrito no guia de ALM em fundos de pensão. O que ela não faz é substituir repertório: o mercado continua medindo o gestor pelo resultado ajustado ao risco e pela consistência das decisões ao longo dos ciclos.

Como montar a trilha da CFG até a CGA?

O planejamento começa pela porta de entrada. Quem ainda não tem CFG nem CFA® precisa somar duas preparações, e o intervalo entre elas é decisão de calendário, não de disposição. Quem já tem a base pode ir direto ao programa da CGA, dividindo o estudo pelos seis temas na proporção em que eles caem.

Dois cuidados aumentam a eficiência. O primeiro é estudar legislação com a norma aberta, porque a prova cobra dispositivo, e não impressão geral. O segundo é tratar cálculo como treino recorrente, em blocos curtos, ao longo de toda a preparação.

Na FK Partners, o conteúdo é organizado pelo programa oficial de cada certificação, com corpo docente formado por profissionais que atuam no mercado. São 21 anos preparando profissionais para as provas da ANBIMA. Se o seu próximo passo é a base da trilha, conheça o curso preparatório para a CFG. Se você já cumpriu o pré-requisito, o curso preparatório para a CGA cobre os seis temas do programa, de renda variável a legislação.

Perguntas frequentes

Qual é o pré-requisito da CGA ANBIMA?

Ter a CFG ou o CFA®, segundo o ANBIMA Edu. Sem uma das duas credenciais, não é possível obter a certificação de gestores.

Quantas questões tem a prova e quanto custa a inscrição?

O exame tem 45 questões de múltipla escolha, com 2h30 de duração e mínimo de 32 acertos. A taxa de inscrição é de R$ 550, conforme o edital dos exames de certificação da ANBIMA, versão 1.4.

Quem tem CFA® precisa fazer a prova da CGA?

Não necessariamente. Quem tem o CFA® válido, com aprovação em todos os níveis exigidos, pode solicitar dispensa do exame por equivalência de certificação, desde que conclua o curso de equivalência da ANBIMA.

Quando vence a minha CGA?

As certificações CFG, CGA e CGE com vencimento previsto para 2026, 2027, 2028 e 2029 foram prorrogadas para 2 de janeiro de 2030. A manutenção continua sendo feita pelo curso de atualização, com aproveitamento mínimo de 70%.

Qual a diferença entre CGA e CGE?

Uma habilita a gestão de carteiras administradas e de fundos de renda fixa, ações, cambiais, multimercados e índices. A CGE habilita a gestão de fundos estruturados, como fundos de direitos creditórios e fundos imobiliários.

A prova mede conhecimento; a cadeira cobra decisão

Passar na CGA resolve o requisito formal para gerir recursos de terceiros, e esse requisito é inegociável no mercado brasileiro. O que sustenta a carreira depois é outra coisa: a qualidade das decisões tomadas sob incerteza, com dinheiro que pertence a outra pessoa e um comitê esperando a justificativa técnica.

Quem estuda pensando só na aprovação chega certificado. Quem estuda pensando na mesa chega preparado para ficar nela.

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