Resoluções que funcionam para quem vive o mercado financeiro

Escrito por:

Gabriela Victorio

Todo começo de ano tem um roteiro conhecido: a pessoa faz uma lista de promessas, se anima por alguns dias e, quando a rotina volta ao normal, as metas ficam para depois. No mercado financeiro, onde pressão e urgência são constantes, esse “depois” costuma chegar rápido.

O caminho mais honesto é trocar a promessa pela prática. Em vez de metas gigantes e abstratas, funciona melhor construir um sistema simples, com escolhas claras e revisão frequente. A própria psicologia recomenda metas menores, realistas e sustentáveis, em vez de planos grandiosos que dependem de motivação permanente.

Para 2026, a pergunta que vale é menos “o que eu quero” e mais “o que eu vou sustentar”. Abaixo, estão resoluções desenhadas para quem trabalha com finanças e precisa de resultado.


Por que a maioria das resoluções não sai do papel

As resoluções falham, em geral, por motivos bem prosaicos: a meta é vaga, o plano não existe e a pessoa tenta mudar tudo de uma vez. Quando o mês aperta, o que não virou rotina sai da agenda.

A literatura de comportamento tem uma ferramenta clássica para reduzir esse risco, que transforma intenção em ação com um plano objetivo do tipo “se acontecer X, então eu faço Y”. É o que os estudos chamam de implementation intentions, um jeito direto de amarrar decisão e execução sem depender só de força de vontade.


Resolução 1: escolher uma trilha de certificações com base na carreira que você quer ter

Certificação é ferramenta que serve para sinalizar competência, abrir portas e organizar o estudo. O problema é tratar certificação como troféu, porque sem clareza de direção, o profissional acumula siglas mas não ganha posicionamento.

Por que 2026 é estratégico

O mercado tem valorizado cada vez mais repertório técnico combinado com capacidade de aprender rápido e se adaptar. O Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, reforça a importância de habilidades como pensamento analítico, resiliência e alfabetização tecnológica, além do aumento do foco em requalificação e treinamento contínuo.

Na prática, isso empurra muita gente para trilhas formais de qualificação, e aí entra o ponto central: não existe “a melhor certificação”, existe a certificação que faz sentido para a área que você quer jogar.

Como fazer funcionar

Comece pelo destino e volte um passo. Alguns exemplos de trilhas que ajudam a organizar essa decisão:

  • Gestão de recursos no Brasil: para quem quer atuar com gestão de recursos de terceiros, a trilha mais comum passa pelas certificações CGA e CGE, da ANBIMA. No site oficial, a ANBIMA informa que a CGA pode ser solicitada por equivalência por quem tem CFA® ativo, e que a CGE pode ser solicitada por equivalência por quem tem CAIA® ativo. ANBIMA+1
    Além disso, a própria ANBIMA reúne as regras e reforça que, desde janeiro de 2025, é possível pedir CGA e CGE sem exames por dispensa (experiência) ou por equivalência com CFA® e/ou CAIA®, seguindo os procedimentos indicados. ANBIMA+1

  • Gestão de investimentos com reconhecimento global: o CFA Program®, do CFA Institute, é uma das credenciais internacionais mais conhecidas para quem quer se aprofundar em investimentos, ética e gestão de portfólio. ANBIMA

  • Análise de investimentos e research: o CNPI é apresentado pela APIMEC como certificação para o profissional de investimentos, com enquadramento e exigências ligados à atuação como analista no mercado brasileiro. FK Partners

  • Planejamento financeiro: se o foco é carreira em planejamento, a referência é a certificação CFP®, e no Brasil ela é administrada pela Planejar, que é a entidade responsável por essa certificação no país dentro da rede internacional ligada à marca CFP®. ANBIMA+1

  • Gestão de risco: o FRM®, da GARP, é posicionado como credencial global voltada a financial risk management, para quem trabalha com medição e monitoramento de risco.

  • Investimentos alternativos: o CAIA® Charter, da CAIA Association®, é voltado a profissionais que querem profundidade em investimentos alternativos.

O objetivo aqui é escolher uma linha coerente, porque depois disso o plano fica mais óbvio e menos emocional.


Resolução 2: aprender uma habilidade híbrida por vez e colocar em uso

A expressão “habilidade híbrida” pode parecer moda, mas descreve um movimento real: finanças não é mais só finanças, já que dados, tecnologia e comunicação viraram parte do trabalho.

Relatórios recentes sobre trabalho e treinamento apontam crescimento do foco em IA, dados e requalificação. A conclusão prática é que estudar de forma dispersa não resolve, enquanto a regra que costuma funcionar é uma habilidade por ciclo, com aplicação real: IA aplicada ao trabalho (com critério e governança), análise de dados (Excel avançado, SQL, Python) ou comunicação com números (síntese e clareza).

Sem aplicação, vira consumo de conteúdo; com aplicação, vira diferencial.


Resolução 3: criar um sistema de atualização contínua, sem depender de “tempo livre”

No mercado financeiro, quem para de acompanhar o setor perde repertório rápido. Não se trata apenas de notícia, mas de linguagem, contexto e capacidade de conversar com profundidade.

O World Economic Forum tem insistido na ideia de que habilidades mudam e que aprendizado contínuo tende a ser um componente permanente da carreira. Um sistema de atualização não precisa ser pesado, mas precisa ser constante: um hábito curto diário para contexto, um ritual semanal para conteúdo técnico e uma revisão mensal para consolidar e aplicar.

O que faz diferença é transformar informação em repertório. Registrar aprendizados e compartilhar bons insights no LinkedIn pode ajudar, não como vitrine, mas como forma de fixar conhecimento.


Resolução 4: proteger energia e saúde mental para sustentar performance

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que depressão e ansiedade geram perdas enormes de produtividade globalmente e reforça que condições de trabalho, como carga excessiva e baixo controle, podem elevar riscos à saúde mental.

Em finanças, isso costuma aparecer como exaustão disfarçada de “rotina normal”, mas o problema é que essa conta chega. Limite não é luxo, mas estratégia: definir horário de corte para o que pode esperar, proteger algum espaço real de recuperação e organizar blocos de trabalho profundo reduzindo interrupções.


Resolução 5: tratar networking como construção, não como evento

Networking não é uma ida ocasional a evento com conversa superficial, mas recorrência, troca e confiança. Quem transforma isso em processo costuma colher resultado: presença consistente em temas da área, conversas curtas e bem feitas, e ajuda antes do pedido.

No mercado financeiro, reputação é ativo que se constrói com tempo.


Resolução 6: colocar suas finanças pessoais em ordem, mesmo trabalhando com dinheiro

Trabalhar com finanças não imuniza ninguém contra desorganização pessoal. Quando a vida financeira está apertada, o profissional perde liberdade para negociar, estudar e escolher oportunidades com calma.

Aqui, o básico bem feito resolve mais do que qualquer “hack”: automatizar uma parte dos investimentos, fazer revisão mensal rápida e reduzir decisões impulsivas com regras simples.


Resolução 7: revisar metas em ciclos curtos, porque o ano muda no meio do caminho

Um plano anual perfeito costuma morrer no primeiro trimestre. O que tende a sobreviver é aquilo que a pessoa revisa e ajusta. A American Psychological Association recomenda metas realistas, pequenas e atingíveis ao longo do tempo, justamente para aumentar a chance de continuidade.

Na prática, a lógica é a mesma de uma boa gestão: você olha o que aconteceu, ajusta e segue.


No fim, 2026 tende a premiar consistência. Quem avança não é quem escreve a lista mais bonita, e sim quem escolhe poucas metas boas, transforma isso em rotina e revisa o plano com regularidade. Se uma das suas prioridades for organizar certificações, acelerar habilidades e crescer no mercado financeiro, a FK Partners pode apoiar esse caminho com formações voltadas para objetivos diferentes, do nível básico ao avançado.

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